Arte e criatividade dão vida às Competições Culturais

As Competições Culturais Nacionais 2025/2027 do Clube EDP distinguem o talento dos associados em oito categorias, da escultura à escrita.

Luís Neves conquistou os primeiros lugares em Escultura e Desenho Livre; Carlos Vaz venceu em Pintura; Bernardino Cassiano destacou-se na Fotografia a Preto e Branco e a Cores; e Maria de Fátima Rodrigues venceu em Poesia, Quadras e Conto.

Com participantes de várias Delegações nacionais, as competições valorizam a criatividade, a expressão artística e a riqueza cultural da comunidade associativa.

Escultura

Na categoria de Escultura, Luís Neves, da Delegação de Lisboa, conquistou o 1.º lugar com a obra Mulher com bandolim segundo Braque e o 2.º lugar com Construção. O 3.º lugar foi atribuído a Napoleão Monteiro, da Delegação de Penafiel, com a obra Inseparáveis. Luís Neves voltou a destacar-se, alcançando o 4.º lugar com Abstrato segundo Mandrian.

1º Prémio

Pintura

Na categoria de Pintura, Carlos Vaz, da Delegação de Lisboa, conquistou o 1.º lugar com a obra S/Título. O 2.º lugar foi atribuído a Manuel Graf, da Delegação do Porto, com Minha filha. Napoleão Monteiro, da Delegação de Penafiel, alcançou o 3.º lugar com a obra A bisavó, enquanto Luís Neves, da Delegação de Lisboa, ficou em 4.º lugar com Natureza Morta.

1º Prémio

Desenho Livre

Na categoria de Desenho Livre, Luís Neves, da Delegação de Lisboa, conquistou o 1.º lugar com a obra Meninos III e o 2.º lugar com Amarante. O 3.º lugar foi atribuído a Manuel Graf, da Delegação do Porto, com a obra Árvore. Luís Neves voltou a destacar-se, alcançando o 4.º lugar com Nostalgia.

1º Prémio

Fotografia a Preto e Branco

Na categoria de Fotografia a Preto e Branco, Bernardino Cassiano, da Delegação de Santarém, conquistou o 1.º lugar com a obra Quando a paisagem e as águas se cruzam no reflexo e o 2.º lugar com Só de barco. O 3.º lugar foi atribuído a António Coelho, da Delegação de Gaia, com a obra A família, que também alcançou o 4.º lugar com Sincelo.

1º Prémio

Fotografia a Cores

Na categoria de Fotografia a Cores, Bernardino Cassiano, da Delegação de Santarém, conquistou o 1.º lugar com a obra Ilusão de Óptica e o 2.º lugar com Descargas em longa exposição. O 3.º lugar foi atribuído a António Coelho, da Delegação de Gaia, com a obra Mercado do Bolhão, que também alcançou o 4.º lugar com Outono.

1º Prémio

Poesia

Na categoria de Poesia, Maria de Fátima Rodrigues, da Delegação do Porto, conquistou o 1.º lugar com o poema Mãos fechadas, o 2.º lugar com O colo de Deus e o 3.º lugar com Alma de mar. O 4.º lugar foi atribuído a Nuno Fonseca, também da Delegação do Porto, com o poema Autoretrato.

Mãos fechadas

Um dia, ao anoitecer, virás bater à minha porta
e eu não abrirei.
Pensarás que sou indelicada
ou quem sabe, não ouça mais o teu chamado.
Ao amanhecer virás de novo
e de novo não te responderei.
Por certo já estarei para lá deste destino
e nem me importe mais que tenhas vindo.
Tantas vezes o vento me enganou,
ou a saudade, ao ir abrir-te a porta.
Era-me importante que viesses,
mas de ti, nem sinais havia.
Não venhas agora, pois que já não estou
Nem chames porque a casa está vazia
As portas e janelas se fecharam.
E o tempo que não tinhas já não o quero …

Na categoria de Quadras, Maria de Fátima Rodrigues, da Delegação do Porto, conquistou o 1.º lugar com A pressa dos dias e o 2.º lugar com A incerteza do abraço. O 3.º lugar foi atribuído a Nuno Fonseca, também da Delegação do Porto, com Exortação, que alcançou ainda o 4.º lugar com Amores.

A pressa dos dias

Anoiteceu! Que pressa teve o dia…
Se amanhã pudermos, vamos ver o mar…
Celebrar o sol, sorver a maresia,
seguro as tuas mãos, segura o meu olhar…

Na categoria de Conto, Maria de Fátima Rodrigues, da Delegação do Porto, conquistou o 1.º lugar com a obra O medo e o 2.º lugar com Lugares de dor. O 3.º lugar foi atribuído a Vítor Franco, da Delegação de Santarém, com O dia sem carteira, com eira e beira, que também alcançou o 4.º lugar com Alice no país das pedras.

O Medo

Há alguns anos, numa consulta de psicologia, foi-me lançado o desafio de escrever sobre o medo. Sobre o medo que me incapacitava emocionalmente por essa altura, por conta de uma situação de violência vivida no seio familiar durante muito tempo. Algumas vezes tentei esse registo, mas rapidamente abandonava a ideia porque não tinha a distância suficiente para mexer em algo que ainda doía muito.

Se perguntarem a alguém o que é o medo, poucos saberão explicá-lo. Na minha perspetiva, o medo não passa de um pigmeu que se agiganta, caso o deixemos entrar no nosso espaço e evitemos enfrentá-lo.

Enquanto criança, eu era muito medrosa, de imaginação fértil e monstros debaixo da cama. Depois cresci e precisei mandar os monstros embora porque atrapalhavam a minha vida. Fiz-me adulta, responsável, valente e, mesmo que em muitas ocasiões o medo aparecesse, eu resolutamente o ignorava. E o medo infantil vai-se dissipando porque o tempo se encarrega de nos fazer mais fortes, face à necessidade de nos defendermos e defendermos aqueles que dependem de nós. Aprende-se a encarar as situações, mesmo que inesperadas, e nessa experiência o medo parece diluir-se ou, talvez, disfarçar-se melhor. É o processo de crescimento natural!

Entretanto, numa fase da vida em que me achava preparada para os desafios normais da idade adulta e sentia que o medo era já coisa da infância e da juventude, eis que ele reaparece noutro formato. E já não é o medo das coisas invisíveis, mas sim das visíveis e bem dentro da nossa casa …

O crescimento emocional e intelectual é aprendido dentro do círculo familiar, e a capacidade de desenvolver a coragem deve-se, na maioria das vezes, a essa rede de apoio de que nos valemos nas situações mais complicadas. Nesse círculo familiar encontram-se os que verdadeiramente nos amam, mas também aqueles que julgávamos terem-nos amado e que, por circunstâncias por vezes incompreensíveis, se tornam verdadeiros inimigos. Aí se incluem companheiros que escolhemos, com quem criamos uma família e que, por qualquer desarranjo mental (ou não), nos olham, a determinada altura, com um ódio mortal.

Quase sempre começa com uma palavra desagradável, um rebaixamento, ameaças, faltas de respeito com a família e amigos. Esses relacionamentos, aos poucos, transformam a nossa vida num filme de terror. A coragem conquistada, a maturidade e a confiança vacilam perante um minar diário da nossa autoestima. A discussão, o insulto, a agressão …. Reagir ou não reagir dá no mesmo! Evitar o conflito, manter a paz a qualquer custo, dão o sinal errado a quem sente prazer em maltratar. Por isso, as palavras vão escasseando e o olhar já não se enfrenta, porque tudo serve de pretexto a um agressor. E é o crescer do outro para cima da nossa paciência, da nossa tolerância, confundindo a nossa compreensão com inferioridade, o que só faz aumentar a violência cobarde de quem agride. A ideia errada de que lhe temos medo vai alimentando a escalada de violência, a par com a exigência de obediência para com alguém destituído de qualquer superioridade moral.

Entretanto, aquilo que ainda não era medo no início vai lenta e perigosamente transmutando-se em medo real, dando mais atrevimento a quem pratica a violência psicológica ou física.

É um processo em lume brando, porque o agressor tem prazer nos sentimentos de medo que desencadeia e se vicia nessa rotina de maltratar. E esses maus-tratos vão fazendo o seu caminho…

Então, torna-se urgente enfrentar a situação, se houver condições para tal, ou pedir ajuda, mas poucos – ou poucas – têm a coragem e a força de, na primeira ameaça, dar um ponto final na relação. A maioria das vítimas acha que foi uma vez sem exemplo, que o agressor estava nervoso, que o dia lhe correu mal …. Curiosamente, nunca acham que o seu dia também pode ter corrido mal e que isso não lhes deu o direito de maltratar os outros.

E a cobardia dos agressores é de tal ordem que não agridem nem maltratam quem os aborrece, mas sim a pessoa que os apoia. Vingam-se das humilhações fora de casa agredindo quem está dentro dela.

Na violência doméstica, o agressor, sem ser inteligente, vai percebendo o terror que incute, da mesma forma que o cão percebe o medo e, a partir dessa constatação, vai aumentando a sua agressividade para dobrar a outra parte às suas vontades. De forma eficaz, promove o medo que se instala e paralisa a vida das vítimas ao ponto de estas deixarem de ter vontade própria.

E é caricato porque observo com frequência, em análises sociais, o benefício da dúvida para com esses sociopatas, sobre se esse comportamento é doença mental ou maldade pura, como se fosse mais importante analisar a violência doméstica do lado do agressor e não da vítima.

Na incerteza desses dias, ainda queremos acreditar que o agressor nunca nos faria mal e que há um travão moral que o mantém no caminho da razão … Ao mesmo tempo, vai-se dormir com pensamentos tenebrosos sobre o que pode acontecer se, durante a noite, a paranoia o levar a cometer alguma loucura.

É um duelo emocional muito doloroso entre o medo que paralisa a vítima e a força que é precisa para manter a aparência de estabilidade perante os filhos, o emprego, a sociedade … Uma camisa de forças em que a vítima quase não se pode mover, porque sabe que, se fica, corre riscos, mas se foge, os riscos multiplicam-se para ela e para os filhos. Por isso vai adiando a decisão de sair da relação abusiva, porque sabe melhor do que ninguém com quem está a lidar.

Daí a “paz podre” em que muitas vítimas vivem, sem uma porta de fuga, pois, ao contrário do que muitos “palpitadores de plantão” defendem, a sociedade portuguesa está mais preparada para explicar a desgraça do que para evitá-la.

Muitos talam de violência doméstica, mas poucos sabem do que talam!

E é ultrajante observar a crítica velada subjacente à mulher por tardar em sair de casa para tugir da violência. Desde logo, pode perguntar-se: porque é que ela e os filhos hão de sair de casa? Quem deve ser castigado é quem comete o crime de agressão! E, sendo a vítima a sair, é-lhe dada proteção para o fazer sem riscos? E as condições económicas, alguém as acautela?

Nem todas as mulheres têm condições para recomeçar uma vida do zero e sustentar os filhos enquanto o agressor fica a usufruir dos bens comuns. A maioria das mulheres, na fase mais grave do processo de violência, está sozinha, porque a família e os amigos se afastaram ou toram afastados pelo processo de manipulação tão caraterístico. O isolamento é apenas uma das armas utilizadas pelos agressores.

Os “teóricos” da violência doméstica, na sua “iluminada inteligência”, comparam, por vezes, o processo de violência doméstica ao Síndroma de Estocolmo e decidem que a vítima gosta de viver nessa situação, mas nada é mais falso! Trata-se, na maioria das vezes, da falta de esperança, quando a vítima sente que ninguém se importa nem pode ajudar. Deixa de ver um futuro e até o passado foi engolido pela mentira do amor. O ânimo transforma-se em desânimo e o espírito prepara-se lentamente para desistir de lutar.

A pior etapa do processo de violência doméstica é quando começa a acreditar que, num futuro próximo, talvez vá fazer parte das estatísticas deste crime.

Os factos comprovados e a legislação parecem não ser suficientes para uma decisão sã, nem encontram eco nas decisões dos tribunais.

Parece não haver autoridade – ou vontade por parte da justiça para isolar os criminosos e proteger as vítimas, que ficam invisíveis perante a sociedade até ao momento em que a tragédia acontece. Depois … depois são apenas algumas notícias nos jornais e na televisão. Entre palavras de lástima e de revolta, em pouco tempo tudo voltará ao normal e outras mulheres se perfilam para serem a próxima vítima, numa sociedade que se acha moderna, mas é só medieval.

Com as vítimas sepultadas e as crianças – vítimas prioritárias entregues de qualquer maneira, dá-se início ao processo (nesta sociedade dita “evoluída”) de reabilitação dos criminosos. Tudo ao contrário, não?

A ineficácia da lei e a pouca vontade de mudar o que está errado, no que à violência doméstica diz respeito, têm a ver – na minha opinião – com a supremacia masculina e com a sua necessidade de manter o controlo e a obediência (em pleno século XXI) sobre pessoas julgadas inferiores. É uma sociedade patriarcal de cumplicidade silenciosa e solidária com a carnificina de tantas mulheres assassinadas e tantos filhos com vidas destroçadas, devido a uma noção patológica de propriedade sobre outro ser humano.

No meu caso, que não fiz parte das estatísticas fatais da violência doméstica, só o posso agradecer a mim própria e à coragem que foi resistindo em mim.

Pois, da parte das instituições, nunca senti nem a eficácia nem a autoridade necessária para me sentir segura.

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